Um belo sítio, as margens de um curso d'água repleto de rochas em seu leito, extensa vegetação que brota das barrancas do rio: samambaias, avencas, cordão de frade, bromelias, grandes árvores como araucarias, paineiras, pinheiros, pequenos arbustos, cedrinhos bem podados separando uma propriedade da outra como cercas vivas. Pássaros exóticos mas também muitos tico-ticos, pardais, quero-queros. E a vida que cresce por entre aquela vegetação: tatus, gambas, lagartos, raposas, cobras, aranhas. As pessoas que por ali transitam não se dão por conta de que tem como testemunha aquelas criaturinhas, que ao vê-los passar rastejam como relâmpagos para suas tocas, posso imagina-los em seus esconderijos tremendo de medo. Muitos daqueles que por ali passam, não fariam mal algum àqueles bichinhos, mas asseguro que a grande maioria faria.
E o pequeno sítio no seu verdor acolhe animaizinhos que as vezes em seu ímpeto de fuga, por ali se escondem até sentirem-se seguros.
A grande casa com seus quartos arejados, salas amplas, lareira de tijolos a vista, bela cozinha azulejada, fogão de lenha, redes na varanda, varais de roupas bem lavadas com sabão de pedra, cujo cheiro, fechando bem os olhos e apurando o olfato posso sentir e vislumbrar . Pisos de cerâmica, filtros e moringas de barro com águas muito frescas, tudo bem limpo e ornado com belas toalhas de crochê feitas á mão. Tudo é simples, como a vida no interior. Naquela casa não há quadros na parede, nem objetos de arte de valor inestimável, apenas abriga gente caipira de cidade grande , de bons costumes, gente alegre que tem como tesouro o chão por onde pisa.
No terreiro as flores dão um ar de zelo e capricho, roseiras vermelhas, brancas, cor de rosa, lirio da paz, pingos de ouro, nos vasos orquideas, miosotis, alison, onze horas. E o pomar que sonho, aquele pé de poncam, que em março fica apinhado de frutos dando água na boca de quem passa. O jasmineiro em flor dá ao ar um perfume penetrante, inesquecível, suas flores delicadas caem em pencas de seus galhos verdes e finos, arcados pelo exagero de folhas também muito verdes e miúdas. As cerejeiras perdem suas folhas caprichosamente no inverno e da lugar a um espetaculo de flores rosas só elas as flores grudadas em seus troncos em seus galhos. Foram plantadas ali beirando a cerca de arames propositadamente para dar alegria aos olhos de quem observa, e para dar a certeza de flores no inverno.
Ali cheira-se a terra, e quando chove, meu Deus quando chove, dela emana o seu aroma inconfundivel e você quer ficar ali deitar naquele chão misturar-se ao barro ser barro também e sentir só seu coração batendo compassadamente, calmamente, tranquilamente. E o cheiro da terra molhada... Os porcos no chiqueiro, as galinhas poedeiras, as d'angola o galo Sabanho, a égua Pepita, os cavalos Juru e Para, a pastora belga toda preta Lady Dark Penelope. Era tudo o que tinhamos.
Certa vez deixamos tudo isso para traz e fomos morar na cidade, compramos um terreno com uma herança que ganhamos e contruimos e mudamos. A duras penas largamos tudo. Alugamos o sítio, que loucos, queriamos fugir dali depois de tanta felicidade. Um homem apareceu lá na casa nova dizendo que era amigo da Bene e queria alugar o sítio. Eu estranhei mas pensei: _ Se é amigo da Bene é meu amigo também, e ele tinha meu telefone só podia ser conhecido. Aluguei, $150,00 a diária. Quando fui entregar-lhe as chaves não tive coragem de ir sozinha, levar as crianças então de companhia nem pensar, aquele homen poderia ser um assassino, agora a minha mente só trabalhava nessa idéia, assassino, aluguei meu sítio para um assassino. Convidei um amigo para ir comigo, esperamos um pouco e logo ele chegou em um gol verde bem velho me assustando ainda mais, disse que passaria ali os três dias de carnaval com a familia, mas apresentou-se só e tirou do porta malas uma grande mala preta, que pela força que fez ao tira-lá deu-me a impressão de estar bem pesada. Nessa altura dos acontecimentos, eu era capaz de jurar que tinha um cadáver naquela mala. Mas como proibir o homem de entrar como desfazer o negocio! Acabei entregando-lhe as chaves e parti com meu amigo dali, retornando três dias depois conforme o combinado. Aquele inquilino indesejável teve a coragem de dizer que podia ficar na casa se quissesse, visto que eu nada exigira dele apenas a palavra empenhada de devolver-me as chaves findos três dias. O sangue me enrubeceu as faces, minha carne tremeu nos ossos e meu coração batia tão apavorado, como dos bichinhos indefesos que citei anteriormente, medo! medo! medo!
Mas o homem para meu alívio entregou-me as chaves, e partiu com sua mala preta.
Olá querida Marina, tudo bem?
ResponderExcluirAdorei o seu comentário em meu blog.
O Sr. Domingos é o MÁXIMO!!!
Um bjo no coração...